Mostrando entradas con la etiqueta Corrupçao. Mostrar todas las entradas
Mostrando entradas con la etiqueta Corrupçao. Mostrar todas las entradas

jueves, 15 de noviembre de 2012

O STF e o mensalao: uma bola de neve?

Sei que, como brasileira e blogueira, demorei muito para expor minhas consideraçoes sobre o julgamento do mensalao. Tentei acompanhar o máximo possível do julgamento, tanto vendo diretamente a transmissao pela televisao, ou mesmo pela imprensa, a qual sempre pairam dúvidas sobre a veracidade das informaçoes publicadas.

Assumo que depois deste post muitos me criticarao e quase a totalidade dos leitores brasileiros irao discordar das minhas opinioes. E por isto que esperei tanto para escrever sobre o tema.

O julgamento ainda nao acabou, e peço vênia aos meus amigos e colegas penalistas por eventuais erros que possam ser encontrados nessa crônica. Nao sendo o Direito Penal uma area de minha especialidade, me limitarei tao somente à análise do "geralzao".

Durante este julgamento, confesso que o que eu lia nos jornais e o que eu escutava das pessoas nao me agradava. Às vezes, inclusive sentia um pouco de raiva, por ver a distorsao dos fatos na sociedade. Na minha humilde opiniao, o julgamento nao se tratou em momento nenhum da condenaçao de uma ou outra opçao política, ainda que tenha sido usado para fomentar essa pseudo-polarizaçao entre PT e PSDB.

De fato, o julgamento se centrou em pessoas que incorreram em condutas tipificadas por lei e que foram incluídas na denúncia que embasaram o processo penal. Sinceramente, pouco importa qual era o partido destes réus. Já tivemos a oportunidade de ver que há muitos partidos envolvidos e que o delito, em sí, nao tem legenda.

Obviamente que existe uma forte conexao com o governo do PT (já que se tratou de uma literal compra de votos de parlamentares), e também que envolveu um dos políticos brasileiros mais influentes já existente, que é o Lula. Guardados eventuais elogios ou insultos com relaçao ao Lula, o certo é que nao se pode ser ingenuo ao ponto de ignorar o seu profundo envolvimento com este escândalo. Porém, nao me parece que isto autorize formulaçoes de historias "conspirativas" contra o PT, muito menos que sejam feitas acusaçoes sem materialidade envolvendo o PSDB. Novamente, notas da imprensa nao podem ser usadas como meio de prova.

Feito este comentario, surpreende-me muito que diversas pessoas inteligentes que eu conheço, intelectuais, jornalistas, gente formadora de opiniao, entre nesta linha de que o STF agiu com parcialidade. É fácil se contradizer, pois basta pensar que este proceso foi o primeiro de tal natureza a ser julgado pela nossa Corte Constitucional. Como podem dizer que isto significa parcialidade? Na minha opiniao, isto reflete o protecionismo e o abuso do foro privilegiado, porque é na Cámara dos Deputados que todas as denúncias conseguem ser barradas, por meio das inúmeras CPI's e outros procedimentos de duvidosa eficácia.

Aqui, o que acredito que deveriamos pensar era no próprio instituto do foro privilegiado e no atual sistema de prestaçao de contas dos nossos políticos.

Já na parte do julgamento em sí (e outra vez alerto que nao entrarei na questao da análise do direito), foi muito prejudicial ao Brasil presenciar discussoes entre os membros do STF. Isto deu espaço ao que a sociedade brasileira mais adora fazer, que é selecionar os indivíduos entre os "bons" e os "maus", escolhendo seus líderes e, em cada caso, vangloriando-os e aclamando seus nomes (no caso dos "bons"), ou crucificando-os e difamando outros (no caso dos "maus"). A sociedade brasileira, por mais que esteja madura frente aos novos desafios que se mostram, ainda nao consegue se separar desta tendencia.

Se por um lado as discussoes traziam os diferentes pensamentos que cada membro do Tribunal tem (o que é democrático, defendível, e saudável que exista na Corte Constitucional), por outro penso que foi exagerado, e pode ser perigoso para a estabilidade da Corte em um longo prazo.

Por mais polêmico que seja um ou outro membro, tudo estava sendo feito com base na transparencia, nos procedimentos da Corte, e nos pilares legais. Ou nao existe mais o "livre convencimento do juiz"?

O que me parece muito bom para o Brasil como um todo foi demonstrar que o Poder Judiciário, pelo menos considerando a Corte Constitucional, suporta fortes pressoes, expoe-se a uma transparencia real e é independente, como todo e bom Poder Judiciário em um país democrático deve ser.

Saldos? No meu ponto de vista, positivos, mas os resultados talvez mereçam outra comprovaçao, por meio de outros julgamentos tao polêmicos como foi o mensalao. Contudo, para a imprensa internacional, o Poder Judiciário brasileiro mostrou que detem uma independencia invejável, e que neste ponto, também concordo.

PS: sou apartidária neste caso. Portanto, adoraria entrar em um debate sobre o tema, mas sem paixoes ou partidismos.

sábado, 2 de junio de 2012

E outra vez o mensalao...

Já declarei aqui que procuro nao trazer assuntos sobre corrupción mais que o necessário, porque pode ser um tanto frustrante se dar conta de que exatamente todos os países do planeta sofrem com isso, e que infelizmente o ser humano é corruptivo por natureza.

Mas o assunto da semana no Brasil foi o encontro do Lula com o Ministro Gilmar Mendes, momento que supostamente Lula havia pedido para o Ministro adiar o julgamento do caso do mensalao, e em troca ter proteçao na CPI do Cachoeira (outro caso que ainda promete muitos episódios).

Bom, supostamente isso faz.... 1 mês e algo... ou seja, durante este tempo, nada se falou, nada se fez.

O detalhe é que as reaçoes de ambas partes sao impróprias para os cargos que envolvem. Me deixa um pouco pensativa ver que o linguajar do Ministro pode ser publicamente pesado. Nao se espera isso de um cargo tao importante. Além disso, as declaraçoes dadas demonstram que todos os envolvidos erraram em seus atos, ativa e passivamente.

Aqui sugiro a leitura da coluna de Kennedy Alencar sobre o caso. E faço das palavras dele, minhas.

Além disso, também a UOL fez uma entrevista com Marco Aurélio Mello sobre o tema. Vale a pena ver. Clique aqui.

PS: Nao é um consolo, mas aqui na Espanha, o chefe do Poder Judiciário Carlos Dívar também foi alvo de duras críticas sobre diversas viagens que fez a Marbella, no sul (que por sinal é uma regiao bastante cara em geral), e pagou tudo com dinheiro público. Além de dizer que o valor de mais de 18.000 euros era "irrisorio", e que aproveita as viagens para exercer o seu cargo (ou seja, que as viagens eram oficiais), foi forçado a dar explicaçoes públicas sobre isso. Reafirmou que tem "a consciência limpa" e que nao deixará seu cargo. Mais informaçoes sobre o caso, clique aqui e aqui.

É, realmente corrupçao nao tem passaporte...


lunes, 23 de abril de 2012

Às vezes é bom a gente ver como nós somos vistos pelos estrangeiros que vivem no nosso país...

Me surpreendi muito com a leitura de um artigo em um blog do jornal El País da Espanha, onde Juan Arias trata de maneira muito clara e objetiva algo que para nós, brasileiros, nao é de todo claro..

Está em espanhol, mas se entende muito bem.
______________________


¿Son los brasileños individualistas?

Por:  | 14 de abril de 2012
En el post de mi blog de ayer  “Lo que le falta a Brasil para ser Brasil”, los lectores abrieron un interesante y apasionado debate de ideas. Una de ellas me llamó particularmente la atención: la crítica al “individualismo” de los brasileños.  Me impresionó porque en los 14 años que llevo en Brasil mi experiencia, al revés, es que los brasileños son, por ejemplo, mucho menos individualistas que nosotros los españoles y más solidarios en general.

Quizás se haya tratado de una palabra que encierra un sofisma. En verdad, leyendo atentamente los comentarios, lo que los lectores critican como individualismo, se refiera más al plano social y cívico que al personal.

Lo que he querido entender es que se critica a los brasileños la poca participación ciudadana en las protestas, por ejemplo, contra la corrupción política o empresarial, o contra las grandes desigualdades sociales o sobre la enorme carga tributaria que pesa sobre ellos, una de las mayores del mundo que se come cuatro meses de sueldo de los trabajadores.

O bien contra la precariedad de los servicios públicos y de las grandes fallas en la sanidad y en la educación, o contra la violencia urbana. En Rio, la mujer del empresario Erik Batista, uno de los siete más ricos del mundo, cuenta que no debe haber en la ciudad nadie que o él o un familiar o amigo no haya sido asaltado alguna vez. Algunos hasta varias veces. Lo mismo ocurre en Saõ Paulo o en las otras grandes metrópolis del país.

Existen muchas explicaciones para esta especie de “apatía” ciudadana. Algunos la achacan a que en Brasil la gran popularidad de Lula y sus conquistas sociales primero y ahora de Dilma se han tragado a la oposición, incapaz de reaccionar. Los mismos sindicatos están ya incrustados en el gobierno y en el Estado y el Partido de los Trabajadores que cuando estaba en la oposición movilizaba a las asociaciones sociales para sacar hasta un millón de gente a la calle, hoy está en el gobierno.
Otra de las explicaciones es que los brasileños se sienten de alguna forma impotentes a protestar contra el gobierno cuando la misma oposición política no lo hace y cuando las encuestan revelan que el 71% de los ciudadanos tiene la sensación si verdadera o inducida por la propaganda no puedo saberlo- de que han mejorado de vida y que sus hijos van aún a mejorar más.
O bien que el brasileño, por índole e idiosincrasia no es peleón como el argentino o el español. Basta recordar que acabada la Dictadura militar hubo un acuerdo entre los dos bandos para olvidar el pasado y pactaron en la Constitución una ley de amnistía que impide hoy juzgar a los torturadores de entonces.

Existe además en Brasil la tradición de los coroneles, de los grandes señores o políticos que dominaban una región que eran al mismo tiempo como los grandes mecenas de los pobres, por lo que no se sentían con fuerzas para protestar contra ellos. Procuraban, al revés, sacarles el mayor provecho posible. Era una especie de restos de la esclavitud.

El brasileño es al mismo tiempo consciente de esta su falta de reacción ciudadana contra la corrupción y peor aún, contra la impunidad hacia los corruptos. Quedó claro cuando el diario O Globo, publicó un artículo mío de Opinión en este diario titulado “Por qué en Brasil no hay indignados”. Puedo asegurar que ningún otro articulo en mi ya larga carrera periodística, tuvo mayor eco en el resto de la prensa, en la radio y en la televisión. En Globo News, William Waack dedicó al artículo su programa semanal de debate de política nacional e internacional a discutir el artículo. Y las redes sociales explotaron de comentarios durante semanas enteras.

En aquel artículo me preguntaba cómo era posible que en Brasil los gais sacaran, por ejemplo, a la calle en São Paulo o Rio hasta a dos millones de personas así como los evangélicos en el día de Jesús o los defensores de la marijuana y nadie se preocupase de protestar contra la corrupción política, por ejemplo.

Puedo asegurar que no tuve ni un solo comentario negativo contra el artículo. Al revés, se subrayó el hecho de que hubiese sido un periodista extranjero el que colocara el dedo en la llaga y hasta se creó, aunque tímidamente, el Movimiento de losindignados contra la corrupción que lo máximo que consiguió fue reunir a través de las redes sociales, a 30.000 en Brasilia. Ni siquiera adhirió el Movimiento Estudiantil, generalmente activo en todos los movimientos de Indignados del mundo, porque en Brasil el movimiento recibe grandes subvenciones del gobierno y declararon que no tenían ningún motivo para protestar.
Si era a esta especie de ‘apatía” o “impotencia” política y social a lo que se referían mis lectores cuando criticaban el “individualismo” de los brasileños, sin duda tiene razón. Otra cosa es el individualismo personal. En Brasil, por ejemplo, es imposible sentirse sólo y si a alguien le ocurre algo en la calle he sido testigo muchas veces de ellos hasta en plena Copacabana en Rio- enseguida se reúne una docena de personas con su móviles dispuestas a ayudar. Si lo negase estaría siendo injusto.

miércoles, 18 de abril de 2012

Brasil e suas CPI's.... Mas a Hillary tem realmente idéia do que acontece?

Ontem estava eu lendo as notícias, e encontro uma nota que me chamou a atençao. Ainda que a visita da Sra. Clinton ao Brasil nao tenha repercutido quase nada nos EUA, na imprensa brasileira o fato teve ampla cobertura. Pois vejo que na Folha de Sao Paulo há uma opiniao publicada na coluna do Valdo Cruz (leia aqui) que serve como uma luva para explicar a dinâmica da política no Brasil.

Hillary Clinton afirma para a imprensa que Dilma Rousseff instaurou um "padrao global" no combate à corrupçao. Nao vou discordar. Desde outro país, posso ver que o panorama já nao é mais o que era antes. Mas também sou ciente de que a imprensa anda mais investigativa, que as novas tecnologias propagam com extrema velocidade fatos considerados contra a cidadania, ainda que nao sejam de todo verdadeiros. A movilizaçao popular na internet aumentou absurdamente e nao se pode negar que isto também colaborou muito para o combate às más práticas.

Dilma também tem uma aprovaçao popular recorde justamente por sua postura dura frente a alguns escândalos que aconteceram já no seu mandato. Nao se envolveu e acabou por "jogar na fogueira" muitos dos ministros que foi obrigada a aceitar. Todos sabemos que as nomeaçoes para altos cargos atendem a favores, a troca de apoios, nao exatamente a competência desses nomes para o exercício do cargo.

Agora, a observaçao da Sra. Clinton veio justamente no meio de outro escândalo que se mostra mais amplo do que se vê. Confesso que depois de recordar as declaraçoes do Demóstenes Torres sobre corrupçao e ver que ele está no centro da história me deixou desiludida, pensando que realmente ninguém se salva nessa selva. Porém, ler que o Planalto nao vai barrar a CPI do Carlinhos Cachoeira (já conhecido...) porque "é tarde demais", achei um tapa de luvas na cara da sociedade.


Escrever sobre corrupçao no Brasil, na minha humilde opiniao, é analisar o mesmo. Quando se analisa a corupçao de maneira científica, sempre se tem que ter em mente que ela nao desaparecerá, e que depende muito dos principios morais que cada sociedade carrega dentro de si. Nada mais certo. Nao adianta discutir corrupçao no Planalto quando o proprio Planalto é sinônimo de corrupçao. Na corrupçao política, a motivaçao é variavel, girando quase sempre ao redor da falta de puniçao. Ou seja, as vantagens obtidas por se "queimar" podem compensar.

Diante da CPI, já falaram Lula e FHC, aludindo ao "doa quem doer" ou "o Brasil está cansado de corrupçao". Ambos foram alvo de grandes escândalos políticos da mesma maneira. Nao seria diferente com Dilma.

Só que todos se esquecem que quem decidirá essa CPI será o PMDB, esse partido que sinceramente joga no lixo quase tudo que eu estudei sobre direito de partidos na vida... ah! O vice presidente também é do PMDB... hum.....

Hillary: certeza que você conhece o Brasil?